Na semana passada, iniciei o meu projeto GEP no Instagram. Mais de 20 campanhas prontas, para empresas e instituições cuidadosamente selecionadas por mim, era só começar a postar. A primeira tinha um sentido mais profundo para mim (e por isso fiz questão de que fosse a primeira): a escola de filosofia Nova Acrópole.



Subi a campanha e fiz uma gracinha no perfil do Instagram da escola para chamar a atenção. No dia seguinte, me deparei com a seguinte mensagem:

Foi um choque pra mim, fiquei muito triste. Como assim? Fiz a campanha com tanto carinho… é uma homenagem, um presente para a Nova Acrópole e eles me tratam assim? Tão…tão…
Ok, vai, foram muito gentis. Tiveram a delicadeza de se sentar e escrever um texto cuidadoso explicando o por quê estavam pedindo para eu retirar o nome da Nova Acrópole da campanha. Isso para um perfil com 0 seguidores e uma fulana que nunca tinham visto na vida. Nobre. Muito coerente com a proposta da instituição. Uns verdadeiros Lords.
Mas fiquei com medo. Deveria trocar o nome do projeto? Eu criei várias campanhas, com tanto zelo, não gostaria de escutar isso novamente de outras empresas que admiro. Dói, né. Mas comecei a refletir com calma. Eles gostaram da proposta (o que me deixou muito feliz), mas reclamaram do nome: Guerrilla.
Sei lá, estou tão acostumada com o termo “Marketing de guerrilha”, que para mim “guerrilha” já perdeu o peso bélico e/ou ideológico da palavra. Por via das dúvidas, e como primeira medida, coloquei o nome em segundo plano no Instagram, para não ser visto logo de cara.
Porém, depois de refletir honestamente sobre o ocorrido, entendi que o problema maior não é exatamente o nome do projeto. Me perguntei se gostaria que a minha marca aparecesse em uma campanha de uma página “x”, do nada, sem eu ter dado autorização, sem saber o que estava acontecendo.
A resposta foi um rotundo NÂO.
Não pedi autorização para publicar, não me apresentei, não expliquei nada, e ainda cheguei batendo o pé na porta, fazendo gracinha no perfil deles. Ou seja, passei por cima de um dos pilares mais básicos da excelência humana: o respeito. Não se trata dos “valores de fraternidade” da escola Nova Acrópole, se trata de entrar sem pedir licença e esperar ser aplaudida.
Tudo bem, não doeu tanto assim, vai. Não no sentido de “também não queria mesmo publicar essa $%¨& de campanha”, mas a filosofia tem o aval pra puxar a minha orelha e sair ilesa.
Venho de um lar hostil e caminho em direção à paz, e a filosofia foi, desde meus vinte e poucos anos, um fio condutor importante. Quando a gente busca honestamente a verdade, senhores, acontece algo curioso: quando você acha que já subiu todas as montanhas, vem a Vida e diz: “Parabéns garota, mas olha ali atrás de você. Ainda tem um… Pico do Everest pra subir. Boa sorte.”
E você perceberá que o seu ego é uma das pedras mais pesadas da sua mochila. Se não renunciar a ele, não vai conseguir subir muitas montanhas, sabe. E quanto mais montanhas você sobe, mais montanhas você vê que tem pra subir. E cada vez mais a frase “só sei que nada sei” vai ficando mais e mais clara ao longo do trajeto: somos como um peixe tentando explicar a água na qual estamos submersos.
Enfim, esse episódio acabou me custando uma campanha linda, mas me fez recordar do por quê eu havia escolhido a Nova Acrópole – e não me arrependo. Muitas empresas/instituições não teriam tido essa gentileza e humanidade ao conversar comigo, e me sinto profundamente agradecida pelo feedback.
Olhei para a próxima montanha a subir agora. Meu site pode e deve melhorar. Tenho que polir e amadurecer minhas abordagens, pois o intuito realmente não é incomodar ninguém. As empresas estão sendo contatadas agora, antes das publicações das campanhas (obrigada, Nova Acrópole, eu realmente poderia ter problemas mais sérios por isso). A marca GEP está sendo reconsiderada, e deve amadurecer também. Enfim, bastante trabalho pela frente…
Mas tenho algo a dizer para a Nova Acrópole, e é que vocês não têm moral para criticar ou repudiar a palavra “Guerrilha”, pois isso é o que vocês têm feito todos esses anos. Nasceram com um propósito que consideraram nobre e cresceram com muita dificuldade, poucos recursos, doações, voluntariado – usaram a força de vontade e as poucas ferramentas disponíveis para fazer chegar a uma grande quantidade de pessoas uma mensagem de mundo melhor.
Vocês são guerrilheiros intelectuais da Ordem em um mundo dominado pelo caos e a ignorância, senhores. Gostem ou não.
Todos os meus respeitos à Nova Acrópole, e vida longa à filosofia. E que os filhos dos esforços de vocês herdem a Terra.
Fim.
Nota: Maquiavel nunca foi filósofo. Obrigada pela compreensão.
Raquel Bombardi I #Diário de Bordo GEP